Sobre o ego…

Os últimos dias estive longe do Gelo Negro (site onde este texto foi originalmente escrito), me espanto quando conto os dias e percebo que passou uma semana. Tenho me dedicado a mim um pouco. Como já disse aqui, por algumas vezes, eu sou diretor de arte, na verdade não sou diretor de nada, sou um criador apenas, buscando a cada dia encontrar uma forma para sobreviver disso. Neste tempo, passei a olhar um pouco mais para dentro de mim e para fora também. Olhar minha vida, tentar entender o que aconteceu até aqui, em meus vinte e nove anos de vida. É estranho como tudo me parece tão confuso.

Recebi um convite, muito generoso, de uma estudante de São Paulo (sou de SC), para participar de um documentário que ela está produzindo, para seu curso de Relações Internacionais. Aceitei o convite, mesmo com todos os pudores que eu sabia que teria que superar. Achei interessante a definição de ‘pudor’ do dicionário:

Talvez seja esta, a principal preocupação. É estranho você aceitar fazer parte de algo que fale de você, sem que isso afete seu sentimento de modéstia, sua vontade de ser muito menos significativo do que sua obra. Talvez eu tenha aceitado o desafio de me confrontar com meus receios, por saber, mesmo que de forma inconsciente, que isso me levaria por novos caminhos, abrindo novos horizontes. Nossa fé inoscente de que tudo que é novo, tem o poder de modificar o status quo. Incrivelmente uma nova perspectiva se abriu. Larissa, a até então desconhecida estudante paulista, estranhamente interessada em saber da minha vida, da minha relação com a arte, das minhas opiniões sobre estes assuntos, queria saber tudo o que nunca me foi questionado. Ninguém até hoje, havia tentado encontrar alguma relevância nas coisas que eu faço.

Venho aqui de tempos em tempos, colocar em textos os sentimentos que invento, das vivências que eu tenho, movidos pelas experiências que me acontecem, mas no fundo eu não sei para quem eu escrevo e pouco sei sobre a relevância daquilo que faço. É humano deixar reverberar por mais tempo e de forma mais intensa, as críticas mais contundentes. Em algum grau lógico, me parece dois lados de uma balança. Quem muito se importa com elogios, acaba por se envaidecer. O caminho da vaidade, é certamente o que esconde mais perigos, ao mesmo tempo que ele te traz confiança e se torna propulsor de seu próprio destino, você facilmente pode perder o controle da direção, fazendo seu caminho desviar por completo.

Em contrapartida, se importar com as críticas e desacreditar de si mesmo, criar uma incapacidade muitas vezes engessante. A vida é definitivamente complexa. Sabemos que o melhor caminho nisso tudo, é seguir o equilíbrio, o ecletismo, o problema é saber em que ponto do espaço e da mente ele está. Diante de críticas, elogios e nossas próprias convicções, perdemos facilmente o referencial, usamos uma bússula de vida, completamente sem norte, pouco confiável e pouco precisa. Me parece mais aceitável, uma combinação homogênea entre percepção, vigilância e sorte.

Parte do vôo é orientado por ventos que nunca sabemos para onde soprarão. Nestes últimos dias, a Larissa passou a ler, grande parte de tudo que escrevi aqui. Levantou dúvidas sobre mim que eu não soube explicar, lembrou de momentos que eu havia esquecido e me despertou um sentimento interno de estranheza. Será que eu me perdi entre as histórias que vivenciei e as que eu inventei? Enquanto tentava responder suas perguntas, tentava na verdade responder para mim mesmo:

Afinal, quem sou eu?

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