Sobre o que nunca foi…

Você nunca entenderá minhas atitudes, porque as julgou como és e não como são, turvas, envoltas nas brumas do passado.

Você nunca entenderá minhas intenções, porque você as percebe através de outros, levianamente deformada por desejos torpes e sórdidos,
de histórias e personagens que desconheço.

Você nunca entenderá minhas palavras, porque apesar de pronuncia-las,
você as sente ecoando em outras vozes.

Você nunca entenderá meu sentimento, porque você nunca o viveu.
Viveu outros, de outras formas, em diferentes intensidades e intenções.
Tantos iguais, tão desiguais de mim. Viveu outros, menos eu.

Você nunca saberá como seria, porque profetizou sozinha,
misturando fragmentos sentimentais, costurando retalhos de memórias,
voltando por caminhos dos quais, nunca viram minhas pegadas.
Reviveu os fins, imaginou-os em mim.

Você nunca saberá, porque julgou como seria, aquilo que nunca foi e que agora, já não será.

Um dia porém você perceberá, porque nunca deu certo.
Afinal, nunca fui eu. E a resposta para tudo, não estava em ti, nem em mim.
Mas no que nos tornaríamos ao se tornar ‘nós’.

Você quis enxergar à frente olhando para trás. Justo você, que julgou quem não esquece o passado, quando na verdade era ele que trazia a certeza de
te querer em meu presente. Do ‘nós’, restou você e alguns restos de mim.
Agora entendo e aceito que não será.

Nunca mais.

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