Relacionamentos…

Não entendemos as razões do coração!

Somos vítimas de percepções equivocadas. Ainda que nossas buscas se mantivessem inertes ao longo da vida, as percepções iniciais sobre alguém, mostram-se pouco úteis a longo prazo. O que nos une no presente, nos afasta no futuro e vice-versa.

Por isso relacionamentos se transformam em algo tão diferente do início. Por isso o amor parece virar ódio. Que fique claro, isso não é uma teoria de que devemos nos envolver com pessoas que nos desentendemos desde o início, para a coisa melhorar do meio para o final. Em geral, pessoas que brigam no início continuarão brigando ao longo do tempo de relacionamento. O que acredito ser fato é que as características importantes e relevantes no início, não são os mesmos no decorrer da vida.

Some ainda a atração física, que costuma limitar nosso campo de visão e deixar características decisivas em uma zona de desfoque. Por isso os cafajestes são grandes amantes e péssimos maridos. Como se não bastasse o comprometimento lógico sofrido pela tentação inicial, temos que lembrar das mudanças pessoais que cada um se submete ao longo do tempo. A queda na qualidade de um relacionamento, causados pela rotina e as mudanças pessoais proporcionada pelas experiências de cada indivíduo, é inevitável. Ainda que ambos vivenciem a mesma vida, a mesma rotina, a resultante é individual e única, o que pode gerar uma desconexão com o parceiro. Ambos passam perceber a vida de maneira diferente, muitas vezes antagônica.

Então o relacionamento enfim chega a uma encruzilhada decisiva:

Tentar resgatar a motivação inicial, viver em um relacionamento de comodidade e nenhuma relação afetiva ou decidir pela separação e pela busca de uma nova história. Relação que sofrerá todas as dificuldades encontradas em qualquer outra, amenizadas e muitas vezes ignorada pela comparação do novo com o velho ou ainda a esperança equivocada de que aprendemos como ter uma relação melhor: evitando os erros anteriores, evitando a rotina, evitando as brigas, evitando as ofensas.

O fato é que não importa o quanto mudamos, vamos recorrer em outros, outros erros também. Além de tudo, cada ação possui necessariamente uma reação, que é diferente em cada ser. Portanto, pouco da relação anterior será útil na nova. Parece uma equação sem resolução e de fato é. Todo este cenário desconexo, ainda não inclui aqueles que mentem, que fingem ser, que manipulam e acabam machucando a todos que se entregam de verdade.

Para deixar tudo mais complexo, é preciso acreditar, fazer planos, se entregar, criar expectativas, para desenvolver uma relação verdadeira, o que inevitavelmente nos traz decepções.

E ainda que tudo corresse bem, você pode encontrar a pessoa certa, no momento errado. Seu, dela ou de ambos. Não se frustre, não queira encontrar lógica no ilogismo. Não queira estatizar sentimentos e pessoas. Não busque encontrar receita para aquilo que costuma desandar, ainda que com ingredientes e medidas precisamente calculadas. Talvez essa instabilidade sentimental que vivemos seja uma regra inerente para o amor acontecer.

Talvez ele sempre foi assim e o único erro que cometemos, que torna esse investimento mais inseguro que Bolsa de Valores, é a tentativa de eternizar o que necessariamente é passageiro. Independente do tempo de passagem.

A vida é um desencontro de tempo e o amor é a consequência desta desordem. Buscamos o eterno e esquecemos que até nós somos finitude, nada mais que pequeninos fragmentos do tempo.

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