Que sabes tu?

Andamos cheios de razões e conclusões sobre algo que desconhecemos completamente. Somos uma centelha divina ou poeira de estrelas? Nem ao menos sabemos porque estrelas existem e acreditamos em um Deus que não mantém um padrão lógico.

Que sabes tu da vida? Passamos grande parte dela correndo atrás de dinheiro, para custear uma vida da qual não vamos usufruir porque estamos ocupados demais trabalhando para usufruir-la. E se não o fizermos, neste mundo estranho que construímos para nós, talvez fique pior.

Que sabes tu da vida? Se o nosso pior, talvez nem seja o pior. Nunca é, porque pode piorar sempre. Só temos noção real daquilo que temos quando já não o temos. Queremos mais quando não temos, do que quando enfim o temos. Somos eternamente inconformados e vazios. Como um saco furado que nunca enche.

Que sabes tu da vida? Passamos por ela sem nos interessarmos pelas pessoas, mas esperamos o interesse delas por nós. Queremos reconhecimento e damos tão pouco. Como esperar aquilo que não damos? Como julgar alguém que nos é semelhante em nossas próprias hipocrisias? Se uma pedra quebrou seu telhado, foi você que a jogou.

Que sabes tu da vida? Por vezes a morte nos amedronta, dependendo da realidade em que estamos inseridos e em um instante, ela nos parece um alívio, dependendo da realidade em que estamos inseridos. E o que mudou, se não a percepção diante do imutável? Percepção tão falha, que muda conforme o clima, a dor, a decepção, a quebra da expectativa. Talvez o ilogismo divino seja a lógica humana de não ter lógica alguma.

Que sabes tu da vida? Quanto mais conhecimento adquirimos, mais forte fica o sentimento de desconhecimento. A ignorância que por vezes soa benção, mas do que vale uma vida distraída? No contraponto, do que vale tanto conhecimento diante deste infinito oceano de dúvidas? Quantos planetas existem afinal? Quantas galáxias? E tudo isso, para que em um pequeno círculo azul flutuante na escuridão cósmica, questione os por quês?

Que sabes tu da vida? Como homens, nunca saberemos como é ser mulher. Como brancos não sabemos ser negros. Pobre, ricos, letrados, iletrados, felizes, tristes, magros e gordos. E ainda existem os loucos e os sãos que parecem ser loucos. Os loucos que se intitulam sãos. E tudo isso que nos divide e nos impede de entender a vida. Porque o isolamento mental nos afasta de um pensamento conectado. E a falta do coletivo nos afasta da saída. Como no saudoso Caverna do Dragão, ou saímos todos do pesadelo, ou adormecemos todos na ignorância.

Que sabes tu da vida? Me parece que a vida é, se não um desfazer de tudo. Um desfazer de acumular. De memórias, de passado, de dinheiro, de posses, de pensamentos, de lógica, de fé, de incredulidade. A vida me parece a busca por um despir do corpo e da alma. Ao mesmo tempo que temos que ter a real noção do valor daquilo que se desfaz. É entregar seu maior tesouro. É morrer para renascer. Mas o que sei da vida? Se para saber é preciso não saber.

Em tudo que aprendi, aprendi que não sei absolutamente nada. Em tudo que perdi, sei que ganhei tudo que tenho. A vida é um paradoxo. Onde a única lógica é justamente a falta dela. No fim, no fim você descobrirá que é só o começo. Do que? Eu não sei.

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