Olha para fora…

Você que posta fotos do pôr-do-sol, fotos do seu final de semana na praia ou alguma paisagem super interessante, me explica por que mesmo que na única existência que você tem, escolheu passar a maior parte do seu dia, cinco dias por semana, por uns 40 anos, dentro de um escritório?

Ou você não gosta de ser feliz, ou você é um grande covarde, ou você não ama de fato estas coisas que você posta nas suas redes sociais. Mas o faz, para se sentir incluso, quando na verdade sua única preocupação é ganhar mais dinheiro do que as pessoas que lhe conhecem.

Para ter a sensação e o reconhecimento alheio de que você venceu na vida. Para quando você chegar na sua velhice, você ter a sensação de que pouco valeu tudo isso.

As pessoas estão todas desesperadas correndo atrás de alguma coisa que nem sabem o que é, mas são incapazes de parar para pensar se faz algum sentido o que estão fazendo. Se eu pensasse que a vida é uma maratona única em linha reta, quando aos 36 anos, tudo aquilo que materializei com meu trabalho se desfez, que motivo eu teria para continuar?

Recomecei minha vida várias vezes do zero. Não tenho nenhum apego a profissão que dediquei quase vinte e três anos da minha vida. Abandonaria todo meu conhecimento técnico agora, se uma oportunidade nova aparecesse. Porque a vida não existe em nenhum outro lugar para frente ou para trás deste instante em que você está aqui lendo estas palavras.

Imagine então, quantos bilhões de instantes você já perdeu de fazer algo incrível na sua vida. Quanto dura um sorriso? Um minuto? Pensando por esta perspectiva, nestes 36 anos eu poderia ter sorrido quase 19 milhões de vezes. Mas assim como você, eu troquei grande parte deles por coisas sem valor algum, como dinheiro. Divergindo de alguém, irritado com o trânsito, decepcionado com expectativas, com a cabeça baixa em frente ao computador.

Hoje, qualquer esforço que eu faço na minha vida é para tentar, ocupar um espaço cada vez maior olhando o céu, sentindo o sol na pele, contando estrelas, ouvindo música, conversando com alguém que eu gosto, pegando a estrada. E se eu tiver ocupado uma parte significativa da minha vida com estas coisas, pouco me importará quanto de material eu tenha acumulado, importa quanto eu guardei em meu coração e na memória.

Vou somar os gostos que provei, as cores que enxerguei, as palavras que ouvi, os cheiros que senti e abraços que recebi. A vida deveria se realizar nos sentidos e não nos sentimentos.

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